BOAS PRÁTICAS COLABORATIVAS: “IDENTIFICAR SOLUÇÕES E RESPONDER A TENDÊNCIAS”

A GS1 Portugal – Codipor organizou a VII edição do Seminário de Boas Práticas Colaborativas. O evento teve como objetivo repensar a colaboração nas cadeias de valor e contou com a presença do Secretário de Estado da Economia, a par de empresas e organizações de referência, para abordar a realidade atual neste contexto e as tendências para o futuro da relação eficaz entre parceiros de negócio.

 

Lisboa, 13 de março de 2019 A GS1 Portugal – Codipor organizou a VII edição do “Seminário de Boas Práticas Colaborativas”. A iniciativa constituiu um ponto de encontro entre produtores, retalhistas, operadores logísticos e parceiros tecnológicos para promover a partilha de informação sobre tendências e casos de sucesso no âmbito da colaboração, com especial destaque para o setor do Retalho e Bens de Grande Consumo. De forma a garantir uma abordagem intersectorial e abrangente, foram convidados oradores com experiências e negócios entre empresas, organizações e setor público que inovam na cadeia de valor tradicional. O evento decorreu hoje na Sede e Centro de Inovação e Competitividade da GS1 Portugal, no Campus do Lumiar, em Lisboa.

A sessão de abertura deste “Seminário de Boas Práticas Colaborativas” contou com a participação do Secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, e do Diretor Executivo da GS1 Portugal, João de Castro Guimarães.

João de Castro Guimarães, Diretor Executivo da GS1 Portugal, apresentou a iniciativa como um “palco de partilha das melhores práticas”. O responsável utilizou esta intervenção inicial para apontar “as macrotendências que sustentam a atuação da GS1 Portugal e o seu Plano Estratégico desenhado para os próximos anos, que tem por objetivo posicionar a organização como parceiro por excelência das empresas na procura de eficiência e competitividade na cadeia de valor”.

João Correia Neves, Secretário de Estado da Economia, destacou “uma trajetória recente de crescimento económico sustentada no investimento e na exportação de bens e serviços”. Num momento em que no centro da economia está o Consumidor, torna-se crucial “a capacidade das empresas para disponibilizar serviços que respondam às necessidades dos consumidores e de desenvolver uma resposta àquilo que o mercado deseja”. Num contexto de “investimento em investigação e desenvolvimento, desenvolvimento de competências de recursos humanos e da relação entre as empresas e as universidades e de ciclos de vida das empresas mais acelerados”, assistimos a uma “lógica de adaptação que está hoje muito modificada, em que o fundamental para as empresas serem bem-sucedidas passa pelo conhecimento, pelo ‘saber fazer’ e pela relação com as tendências no mercado”. Na ótica de João Correia Neves, este Seminário constitui uma “oportunidade para identificar as soluções que permitam facilitar a relação com o mercado e responder às tendências que temos pela frente”.

João Vasconcelos, CEO e fundador do think tank CONSELHO, abordou o tema da colaboração estratégica, dos programas de aceleração empresarial e as tendências para o retalho e o last mile para 2019, iniciando a sua intervenção a salientar que “é por causa do que a GS1 a nível global e em Portugal faz que podemos falar do digital, da logística e do comércio eletrónico como falamos”. Observando o panorama da tecnologia no retalho, assistimos a uma realidade em que “as lojas tradicionais dominam o mercado e mesmo os grandes gigantes tecnológicos e as startups mais ágeis se encontram a orientar a sua atenção também para o comércio físico”. A resposta parece estar na “combinação de tecnologia inovadora e toque humano”, apresentada como “uma nova era do comércio eletrónico, através da fusão da tecnologia inovadora, com a tangibilidade e a dimensão social do comércio tradicional”. A oportunidade é clara, sendo esta “a primeira vez que a ausência de recursos naturais relevantes e a distância aos grandes centros não nos impossibilita de participar numa revolução tecnológica”.

De seguida, os desafios e obstáculos da enorme prioridade que é a de reduzir as emissões poluentes foram abordados por Leon Simons, Program Manager da Lean & Green Europe. A plataforma europeia, pública e privada, junta PME, grandes empresas e multinacionais com o objetivo de se tornarem mais sustentáveis. O programa desenhado destina-se a agilizar a redução de emissões poluentes através da “ideia que cada passo possa ser implementado pelas empresas, individualmente”. Leon Simons apresentou casos de sucesso e boas práticas aplicadas no âmbito da atuação da Lean & Green Europe, frisando a necessidade de contar com a colaboração para alcançar as metas propostas e a necessidade de implementar processos incrementais em todas as vertentes de negócio, particularmente naquelas que são mais visíveis para o cliente.

O estudo “Retail With Purpose, Powering Future Growth”, realizado pela Accenture, aponta os desafios e oportunidades relativamente ao setor do retalho, tendo sido apresentado por Manuela Vaz, Vice-Presidente da Accenture Portugal. Para a responsável da consultora “o retalho está num processo de transformação profundo e assistimos todos os anos a um conjunto de tendências”. Neste contexto, existem algumas que conhecemos e se torna necessário acompanhar, nomeadamente a existência de “consumidores diferentes e com expectativas diferentes” face aos quais é exigido que as marcas coloquem a “expertise acerca dos seus produtos ao serviço do consumidor”. As pessoas querem orientação, valorizam o seu tempo e dão relevância aos momentos ao longo de ciclo de compra, pelo que as empresas devem “conseguir que as suas marcas tenham um propósito firme e saibam que papel desempenham na vida do consumidor”. Neste objetivo é fundamental que reconheçam que, para o consumidor, o propósito é relevante, a autenticidade e a utilidade são os principais drivers da confiança e que competir com um propósito num marketplace integrado requer a capacidade para implementar mudanças.

As “Soluções de sustentabilidade na cadeia de abastecimento” conferiram o objeto para a reflexão de Filipa Ferreira Mendes, Country General Manager da CHEP Portugal, que explicou de que forma a partilha e a reutilização impactam o consumo de recursos naturais, com benefícios ambientais para todos. “Num mercado mais exigente e criterioso, nunca como hoje os desafios são tantos na cadeia de abastecimento”, entre “a falta de mão-de-obra, a necessidade de reduzir a emissão de CO2 e a ineficiência de processos”. Perante este cenário “a colaboração é o fator-chave do sucesso”, mas tal exige a capacidade de implementar processos em que imperem vertentes complementares como transparência, confidencialidade, confiança, cultura, gestão independente de dados e ADN de colaboração. “A CHEP está a desenvolver uma nova forma de trabalhar através da cultura da partilha para responder às perturbações no funcionamento do mercado”, numa resposta realizada através de soluções originais de transporte colaborativo.

O programa da tarde iniciou-se com a reflexão do Diretor Geral da COTEC, Jorge Portugal, acerca das tendências e oportunidades encerradas na indústria 4.0 e no e-commerce e o modo como “o 4.0 está a construir as marcas do século XXI”. A questão das marcas nativas digitais, integradas verticalmente, “não é apenas um tema de startups e de capitais de risco”, fazendo igualmente parte dos planos estratégicos de organizações de maior dimensão e carácter já estabelecido. A diferenciação destas marcas passa pela capacidade de “reconhecer as necessidades do seu público e uma maior eficácia no marketing digital, e responder a um efeito de ‘millennização’ do mercado”. A este Seminário o responsável da COTEC trouxe exemplos de marcas bem-sucedidas na utilização das crescentes oportunidades do ‘digital’ como plataforma para o desenvolvimento de negócio e procurou explicar a “fórmula de sucesso” para as startups que estão a conseguir acertar este difícil processo de integração vertical de todas as dimensões da sua atividade.

Logo de seguida, João Machado Costa, Head of Sales da S21sec, desenvolveu uma intervenção centrada nas soluções em torno da cibersegurança, apontando “as consequências relacionadas com as questões de cibersegurança, associadas a quebra de reputação, disrupção de negócio e perda de dados de clientes”. Perante uma transformação acelerada do negócio, somos conduzidos a “esquemas de colaboração, o que aumenta a exposição ao risco”. A complexidade do mercado obriga à implementação de respostas orientadas à realidade de cada organização e às especificidades da sua atividade, um grau de especialização dentro de cada uma das áreas da cibersegurança que representa, para o responsável da S21sec, “um desafio enorme”. A resposta consiste em “continuar a insistir na formação das pessoas, na divulgação e na partilha e investir em tecnologia”.

Algumas apresentações contaram com um espaço para debate, com moderadores convidados, designadamente: Pedro Oliveira Lima, Strategic Consultant da GS1 Portugal; Artur Andrade, Diretor de Industry Engagement da GS1 Portugal; Pedro Corte-Real, da Sonae MC e Fernando Basílio, Diretor de Estratégia, Inovação e Tecnologia da GS1 Portugal.

Por último, e numa lógica um pouco distinta das intervenções anteriores, coube a Anxo Perez, conferencista internacional, encerrar este Seminário. “O dia do êxito” foi o mote escolhido para a última apresentação do dia, que apontou a fórmula e as estratégias para alcançar o sucesso, enquanto indivíduo e em contexto organizacional.

 

  

 

 

Sobre a GS1 Portugal:
A GS1 Portugal é a organização responsável pela introdução do código de barras em Portugal há mais de 30 anos. É uma Associação neutra, sem fins lucrativos, de direito privado e multissetorial, declarada entidade de utilidade pública. Mais de 8.000 empresas aderiram e acreditam no Sistema de Normas GS1 para transformar a maneira como trabalhamos e vivemos. Somos uma das 112 organizações-membro da GS1 e a entidade autorizada para gerir o Sistema GS1 de Standards Globais em Portugal.
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