Mar 26, 2026

A Marca em Crise: Recuperar, Reinventar, Avançar

A Marca em Crise: Recuperar, Reinventar, Avançar

Quando uma crise inesperada – seja um cyber attack, um erro de liderança ou uma falha na supply chain – atinge a marca corporativa, a recuperação e a reinvenção deixam de ser opcionais para se tornarem imperativas. O mais recente estudo global de riscos da Aon identifica o risco à reputação ou marca como um dos riscos mais significativos para as empresas atualmente. Em paralelo, o relatório “Risk in Focus 2026” da European Confederation of Institutes of Internal Auditing (ECIIA) destaca comunicação, reputação e relações com stakeholders como preocupações centrais para os internal auditors nos próximos anos. Já no campo dos recursos humanos, a Gartner sublinha que a resiliência passou para o centro da agenda dos líderes de RH, desde a adoção de IA (Inteligência Artificial) até à mobilização da liderança, reconhecendo que choques relacionados com pessoas e cultura frequentemente se traduzem em danos reputacionais.

Da gestão da crise à reinvenção estratégica

O estudo da Aon evidencia que o risco reputacional vai muito além da perda financeira imediata. O impacto prolonga-se na confiança dos acionistas, no valor do negócio e na legitimidade institucional. Perante este cenário, quando o inesperado acontece, as organizações precisam ir além do controlo do risco e avançar para uma reinvenção estratégica: rever modelos de governance, realinhar valores organizacionais e comunicar com os stakeholders de forma clara, coerente e credível.

Integrar a reputação nos frameworks de risco e auditoria interna

O relatório “Risk in Focus 2026” é claro ao afirmar que as funções de auditoria interna devem incluir a reputação e a comunicação nos seus eixos prioritários. Comunicação, reputação e relações com stakeholders são vistas como áreas onde uma intervenção antecipada poderia reduzir significativamente custos futuros. A reputação deixa, assim, de ser apenas um tema de PR para se afirmar como um tema de governance e auditoria, exigindo frameworks estruturados, alinhamento transversal e métricas claras.

Pessoas, cultura e tecnologia como linhas de defesa da marca

A investigação da Gartner mostra que a resiliência organizacional será construída através de estratégias de workforce apoiadas por IA, ativação cultural e mobilização da liderança. No entanto, quando pessoas e cultura falham, a marca paga o preço. Quebras em inclusão, confiança ou agilidade interna podem provocar erosão reputacional tão rapidamente quanto crises externas. Proteger a marca implica investir nos recursos humanos que a sustentam: colaboradores capacitados, canais de comunicação transparentes e um propósito partilhado.

Preparar a recuperação e a reinvenção antes da crise

As organizações que integram a recuperação e a reinvenção no seu brand risk management estarão mais bem preparadas quando o inesperado ocorrer. Isso passa por desenvolver scenario planning para eventos reputacionais, integrar a reputação nos risk registers, alinhar auditoria interna e RH com ferramentas comuns e comunicar de forma proativa com os stakeholders. Quando a marca é posta à prova, as empresas que respondem com clareza, autenticidade e agilidade não recuperam, voltam mais fortes.