
Quando uma empresa entra num mercado onde ainda não é conhecida, as afirmações que faz sobre si própria chegam sem contexto, e a sua credibilidade B2B tem de ser construída de novo. Um cliente nacional pode ser uma referência no setor, mas o comprador estrangeiro não o sabe. Uma certificação pode ser decisiva num país e pouco reconhecida noutro. A experiência existe, mas o seu valor ainda precisa de ser traduzido e validado.
Esta distância entre competência real e credibilidade percebida esteve na origem do artigo de Marta Gonçalves no SOL, A sua empresa já perdeu. Só ainda não sabe. O website pode tornar a empresa compreensível. A decisão de a considerar credível depende também de quem confirma aquilo que a empresa afirma.
O artigo Trust and credibility in sustainability reporting, de Gaizka Ormazabal, publicado online a 20 de outubro de 2026 na revista Accounting and Business Research, ajuda a organizar este problema. O autor defende que a credibilidade não é produzida por um único mecanismo. Órgãos de administração, investidores, entidades reguladoras, auditores e outros stakeholders contribuem em momentos diferentes e com capacidades distintas.
A credibilidade B2B não tem uma única origem
O estudo incide sobre informação relativa à sustentabilidade, que é frequentemente prospetiva, cientificamente complexa e dependente de dados externos à empresa. Não analisa a seleção de fornecedores B2B. Ainda assim, as quatro dimensões usadas para comparar mecanismos de credibilidade oferecem um instrumento útil para avaliar quem pode validar uma afirmação empresarial.
A primeira dimensão é a proximidade à produção da informação. Quem esteve perto do projeto conhece melhor os dados, mas pode ter menos independência. A segunda é o âmbito da influência: uma referência de um cliente pode pesar numa decisão específica, enquanto uma entidade reguladora ou associação setorial alcança um conjunto mais amplo de stakeholders.
A terceira é a maturidade do mecanismo. Uma auditoria segue procedimentos estabelecidos; um testemunho informal depende sobretudo da reputação de quem o presta. A quarta diz respeito aos incentivos para escrutinar. Quem valida só acrescenta credibilidade quando tem razões para verificar e algo a perder se confirmar uma afirmação falsa ou incompleta.
Um mapa de validação para B2B
Comece pelas afirmações que mais pesam na decisão. Experiência no setor, capacidade de execução internacional, segurança, cumprimento de prazos, retorno do investimento ou integração técnica são exemplos frequentes. Não tente validar tudo: escolha as promessas cuja falta de prova possa retirar a empresa da lista antes da primeira reunião.
Para cada afirmação, identifique a evidência disponível. Pode ser um resultado quantificado, um caso de cliente cuja divulgação esteja autorizada, uma certificação, uma auditoria, um indicador contratual ou uma metodologia que possa ser analisada. Se não houver evidência, a prioridade é produzi-la, não procurar uma formulação mais persuasiva.
Depois, escolha quem valida em função do mercado. Um parceiro local pode reduzir a incerteza sobre a capacidade de operar no país. Um cliente reconhecido demonstra experiência. Uma associação setorial dá enquadramento institucional. A imprensa especializada torna o trabalho da empresa visível a públicos que não acompanham os seus canais. Um auditor ou certificador confirma o cumprimento de critérios definidos.
Por fim, defina o canal onde essa validação deve aparecer. Uma referência escondida numa proposta não ajuda quem procura informação antes do primeiro contacto. O mesmo vale para uma notícia que nunca chega ao website ou para uma certificação apresentada sem explicar o que garante. A prova tem de estar acessível assim que a dúvida surge.
Escolher validadores, não repetidores
Nem todas as ligações externas acrescentam credibilidade. Uma parceria sem papel claro, um testemunho genérico ou uma distinção comprada podem aumentar a visibilidade sem reduzir o risco percebido. Mais do que alguém que aceite repetir a mensagem da empresa, interessa quem tem conhecimento, legitimidade e independência suficientes para a testar.
Também não existe um validador universal, e a credibilidade resulta da complementaridade: um exemplo de cliente mostra a aplicação, uma auditoria verifica um processo, uma associação reconhece a pertença ao setor e um especialista explica a técnica. Quando estas provas apontam na mesma direção, a afirmação torna-se mais resistente ao escrutínio.
O papel das Relações Públicas na credibilidade B2B
As Relações Públicas ajudam a identificar os stakeholders relevantes, a criar condições para que conheçam o trabalho da organização e a levar as evidências aos espaços onde o mercado procura validação. Este trabalho inclui relações com a imprensa especializada, parceiros, associações, reguladores, comunidades profissionais e especialistas independentes.
O mapa de stakeholders não se deve limitar a uma lista de nomes. No #4PRGeeks deste mês, vamos explorar por que razão a influência depende também das relações entre stakeholders, da proximidade às decisões e do capital social de cada interveniente.
Antes de pedir a alguém que recomende a empresa, há uma pergunta mais exigente a fazer: quem tem legitimidade para confirmar o que queremos que o mercado considere credível?

